Lelé em: Uma Experiência Interessante
Dias desses, Wesley soube de um menino pensador chamado Kiko que gostava sempre de se colocar no lugar da outra pessoa. Pensou bastante a respeito e gostou da ideia. Se colocar no lugar do outro era bem difícil, mas Lelé gostava de desafios e aprender coisas novas, por isso, resolveu tentar. Como seus amigos são diferentes uns dos outros, com particularidades muitas vezes intrigantes, decidiu tentar primeiro com os melhores amigos.
Então, escolheu Felipe, descendente de japoneses, e se imaginou vivendo naquela casa onde as pessoas comem, na maior parte do tempo, com pauzinhos, os famosos hashi. Por isso, passou uma noite na casa do amigo e teve uma experiência diferente, mas não gostou muito, pois ficou a noite inteirinha com a barriga roncando, não conseguira comer nadinha com aqueles pauzinhos. Tudo que tentara pegar como eles, caíra de volta no prato.
Noutro dia, fez uma nova tentativa na casa de Jorge que vivia somente com a mamãe, pois o papai vivia e trabalhava na capital. E lá foi ele vivenciar outra experiência, de se colocar no lugar do outro. Ficaria um final de semana inteirinho longe dos pais, só para ver como o amigo vivia longe do papai dele.
Nossa! Foi um fim de semana que não acabava mais. Na tarde de domingo não conseguiu aguentar. A saudade era tanta que Lelé resolveu voltar antes do tempo para casa, pois no peito seu coraçãozinho batia apertado.
- É, me colocar no lugar do outro é um desafio e tanto! - pensou ele.
Mesmo assim não desistiu e decidiu tentar de novo. Na rua, brincando com os queridos amigos, pôs o plano em ação.
Na primeira deixa começou:
- Oi pe-pe-pe-ssoal, vo-vo-vo-cês que-que-que-rem brin-brin-brin-car de quê-quê-quê, ho-ho-ho-je?
As crianças assustadas não entenderam o que tinha o amigo.
- Mas Lelé, o que está acontecendo com você, por acaso está doente? Está com algum problema sério? - perguntou Luquinha preocupadíssimo com o amigo. Nunca o vira daquele jeito!
- É que-que-que e-e-eu re-re-re-solvi-vi-vi me-me-me co-co-co-lo-ca-ca-car no-no-no lu-lu-lu-gar do-do-do no-no-no-sso a-a-a-mi-go-go-go! - respondeu ele como se estivesse no lugar de um querido amigo da escola.
- Você quer falar que nem o Zacarias? Mas por qual motivo? – perguntou Ana.
- E-e-eu que-que-que-ro sa-sa-sa-ber co-co-co-mo e-e-ele se-se-se sen-sen-sem-te! - respondeu Lelé.
- Tá, mas e aí, como você se sente falando assim? Porque nós aqui queremos muito brincar e se você ficar aí repetindo tudinho uma porção de vezes, vamos ficar aqui até amanhã! - reclamou Joãozinho.
- Você tem razão amigo. Acho que já deu, né? Vamos todos brincar! - exclamou Tatá e saiu correndo atrás da bola que tomara dos braços de Maria. E completou: - A lixeira é o gol, bora, bora! - e saiu rua afora.
Lelé percebeu a dificuldade do amigo em falar como as outras pessoas e o motivo de o rejeitarem na hora do recreio na escola. Ficou imaginando como Zacarias devia se sentir mal com a reação dos outros.
À noite, em casa, ficou pensando como poderia fazer para ajudar as pessoas que tinham vidas diferentes da sua e da dos seus amigos. Em seguida, listou o nome das pessoas que poderiam se encaixar nesta categoria.
A senhora que mora sozinha lá do outro lado da cidade... O senhor que vende sorvete, vive sozinho e não pode viajar para visitar a filha que mora em outro estado... O Tavinho com sua linda carequinha brilhante... O amigo da escola com dificuldade para falar e, assim, escreveu a sua lista.
Sentou-se com os amigos, contou-lhes sobre a sua mais nova missão e os convidou para participarem, ajudando-o a pensar em pequenas soluções para melhorar a vida das pessoas da lista.
A turminha aprovou a brincadeira. Pensar em coisas legais para deixar as pessoas que vivem em situações diferentes das deles a se sentirem mais felizes era uma missão incrível. Ficaram animadíssimos por participar.
Para o senhor sorveteiro, deram-lhe de presente um porta-retratos bem colorido para colocar ao lado da cabeceira para que, todos os dias, ao acordar visse o rosto sorridente da filha. Talvez, a foto acalmasse um pouco a saudade do seu coração.
Para a senhorinha que vivia sozinha, providenciaram um gatinho abandonado para dar-lhe de presente, pois o pequeno bichano poderia lhe fazer companhia. Ao receber o mimoso presente, a senhora ficou emocionada.
E assim fizeram. Para cada nome da lista, eles inventaram uma solução para deixar aquelas pessoas mais felizes e, no final da semana, Lelé escreveu uma cartinha para o menino pensador que, depois, dona Lorena, a mamãe dele, levou até os correios.
Na carta, ele contou como havia sido a sua experiência de se colocar no lugar do outro. Junto da cartinha enviou também uma foto que seu amigo lhe enviara dias antes, todo sorridente com a camisa que ganhara, onde se lia:
Sou um carequinha muito charmoso!
Otaviano havia ficado contente com a ideia dos amigos e resolvera, enfim, mostrar sua linda carequinha para todos, nada mais de chapéus e lenços, agora seria ele mesmo!
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Vamos pensar!
Você conhece alguém que tenha uma vida diferente da sua? Como se sentiria se fosse você a viver desta maneira?
Como você acha que essa pessoa se sente? Pense em algo que poderia ser feito para que ela se sinta um pouco mais feliz e conte-nos pouco a respeito!
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Observe:
Estava aqui esses dias e vi uma postagem sobre um livro lindo de um autor brasiliense chamado João Vieira. Então tive a ideia de levar o Lelé até o Kiko, o menino pensador que teve uma grande ideia que era de se colocar no lugar do outro. Gostei desta ideia e espero que vocês também tenham gostado. A história do livro No Lugar do Outro é muito legal e vale a pena conferir!
Fonte das fotos: o autor.
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